
Pobre garota, sei que não é fácil passar por tudo que tu passas com um sorriso no rosto. És tão forte e ao mesmo tempo tão frágil. Parece tão simples o que tu passas, mas não é. Eu bem me lembro das noites que me ligaste chorando, tentando disfarçar toda a tristeza com um mísero “Estou bem”, não bastou. Sei quando você está mal, sei quando você está tentando ser forte. Tira essa mascára, pequena! Para de fingir ser o que você não é. Deixa essa garotinha dócil sair de dentro de você, não se acanhe, não ligue pra a opinião dos outros, seja você! Resista, um dia isso passa. Só não se esqueça, eu estarei sempre com você, haja o que houver.

Uma manhã fria, um chocolate quente e uma mente fervilhando com informações desprezíveis. Eis que meu dia estava apenas começando, ainda havia muito pela frente. Problemas dos quais eu não conseguia achar soluções. Duvidas que importunavam minha mente de forma indelicada. Tamanha crueldade da vida, pregar peças com tanta frequência. Um turbilhão de sentimentos habitava em mim naquele instante. E não há como reprimir sentimentos. Encara-los sempre fora algo que devíamos fazer. Olhei pela janela, alguns raios de sol já conseguiam ultrapassar a grande nuvem que o tampara. Respirei fundo e decidi então encarar de uma vez o que o mundo reservava para mim. Sejam boas ou ruins quaisquer surpresas seriam bem-vindas, quem sabe assim, se eu as recebesse de maneira acolhedora, elas se tornem mais fáceis de ultrapassar. Aquela vida monótona que havia levado até então já havia se tornado banal. O meu desinteresse pelo mundo e seus componentes era algo que no começo me trouxe alguns benefícios, mas como tudo, depois de certo tempo virou apenas prejuízos. Não adiantava mais me isolar interiormente se eu não conseguia me livrar daquilo que meu interior já abrigava há um tempo. Pensamentos rolaram soltos, a mil por hora, embarcados em uma viajem interior. Rumores de que eu havia perdido muito tempo trancafiada entre paredes brancas e moveis antigos. O medo me fez patética. Tomei então uma dose de coragem, coragem pra tentar algo novo, para me entregar a algo novamente. Essa coragem de me libertar dessa imensa gaiola que cercava a minha vida em qualquer canto que eu andasse. Chega de repressão, acho que todos já notaram e inclusive eu que durante muito tempo tenho guardado lá no final do consciente, em um lugar isolado, tinha te deixado lá e por ironia do destino escondi tão bem escondido que não lembrava que podia sentir. E também lá dentro deixei você, aos poucos tive que deixar a alegria e dando um lugar bem mais amplo para a solidão. Hoje tenho que falar, a solidão já tomou todas as partes, quero mudar esse quadro, vou buscar o que tenho guardado e espero que com isso possa trazer você. Ou talvez, esse tempo, essa vida e essas surpresas me tragam algo melhor. Ana Luisa e Isabel (reprimidas)